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Na última semana, profissionais das áreas de Meio Ambiente e de Construção da VALEC Engenharia, Construções e Ferrovias S.A. iniciaram testes de protótipos desenvolvidos para evitar a entrada e a morte de quelônios (tartarugas, jabutis e cágados) no Tramo Central da Ferrovia Norte-Sul (FNS). Estudos desenvolvidos no Brasil, Estados Unidos e Europa vêm servindo de base para as experiências da VALEC.

De acordo com os profissionais envolvidos na operação, os quelônios possivelmente entram na ferrovia pelas passagens em nível — travessias destinadas a veículos e pedestres — e, uma vez entre os trilhos, são incapazes de encontrar uma saída. Como consequência, acabam morrendo de sede e de fome.

A primeira alternativa testada consiste em uma espécie de armadilha pitfall, onde os quelônios caem e podem atravessar a ferrovia por baixo dos trilhos. Essa pequena passagem foi montada entre dois dormentes e em nada alterou a estrutura da via férrea. O buraco acabou servindo como uma barreira física, já que, durante os testes, eles evitaram cair na armadilha e refugaram.

A outra medida experimentada foi a colocação de pedaços de trilhos na perpendicular, de modo a impedir a entrada dos quelônios para longe da passagem em nível, permitindo que, ao encontrar a barreira, pudessem recuar e encontrar facilmente a saída. Os resultados observados foram significativos com os animais de maior porte. Os pequenos foram capazes de ultrapassar o pedaço de trilho pelos espaços necessários à circulação dos veículos ferroviários.

Segundo o biólogo André Soller, serão promovidas alterações nos protótipos para que novos testes sejam feitos. Ele explicou também que aprisionamento de fauna entre os trilhos não é exclusividade de quelônios ou da FNS, uma vez que o problema foi identificado também com aranhas caranguejeiras. Em outras ferrovias há registros semelhantes, envolvendo, por exemplo, tatus e anfíbios.