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Veículo:Diário da Manhã
Caderno: Online
Data: 12/09/2009

China quer fábrica de trilhos em Goiás

Norte-Sul é alvo de cobiça. Companhia energética do país busca parceria com a Celg.
Missão segue para Rússia

A missão comercial de Goiás na China, em seu quinto dia de serviços, recebeu convite formal da administração pública chinesa para possível instalação de empresa especializada na produção de trilhos de ferro. O Ministério Ferroviário da China, que manifestou interesse em instalar fábrica no Estado, também quer participar de subconcessões que serão abertas pelo governo brasileiro para exploração de linhas e ramais da Ferrovia Norte-Sul. Hoje, o governador viaja para a Rússia, onde participa de rodas de negócios e visitas a entidades públicas.

O dia foi também produtivo para a área de energia, pois o governo de Goiás recebeu sinal verde para formatar negócios com a Corporação Nacional de Equipamentos Elétricos da China (CNEE). Segundo o secretário de Planejamento, Oton Nascimento, várias oportunidades foram abertas nos dois encontros, sendo aquelas destinadas ao setor elétrico de grande interesse para governo – maior acionista da Celg.

Durante a manhã e período da tarde, a agenda do governador Alcides Rodrigues foi tomada por reuniões de negócios – setor de ferrovias, energia elétrica, financiamento público e agricultura. Pela manhã, no Ministério Ferroviário, ele apresentou dados gerais da Norte-Sul. “O setor ferroviário do Brasil ficou adormecido durante muito tempo, mas o governo Lula tem intensificado projetos na área”, disse Alcides. Antes, ele reconheceu a grandiosidade do setor ferroviário da China – considerado o terceiro em extensão, atrás de EUA e Rússia. “Estamos diante de números impressionantes e expressivos”.

O governador informou a Lu Chunfang, vice-ministro da pasta, que Goiás vive um grande momento a partir da chegada da Ferrovia Norte-Sul. O governador convidou na sequência o secretário de Planejamento, Oton Nascimento, para explicar a importância da ferrovia para a logística de carne, minérios e soja.

Lu Chunfang declarou interesse em formar parcerias a partir de um ‘canal de contato’ voltado para firmar acordos e cooperação. “Queremos aprofundar as ideias e constituir um negócio concreto”, disse. Alcides delegou a Oton Nascimento e Francisco das Neves, presidente da Valec, a missão de manterem contatos com o Ministério das Ferrovias para firmar contratos entre China e Goiás.

Investimento é condicionado à presença chinesa no Estado

Em encontro no Banco de Desenvolvimento da China, o governador Alcides Rodrigues foi informado de que os chineses estão dispostos a ‘meditar’ sobre eventuais apoios financeiros aos goianos. Para isso, ele apresentou um condicionante: que as empresas chinesas sejam chamadas a colaborar com os empreendedores goianos.

Deng Zhijie, vice-presidente do Banco de Desenvolvimento da China, diz que existem 12,4 bilhões de dólares previstos para sete projetos no Brasil. Para ele, é perfeitamente possível investir em Goiás desde que existam empresas chinesas envolvidas nas negociações. “O Banco de Desenvolvimento da China representa um elo entre este país e o Brasil. É possível viabilizar investimentos em energia e transportes”, disse Clodoaldo Hugueney, embaixador do Brasil na China. O governador Alcides Rodrigues reiterou que a China é o principal parceiro econômico de Goiás. “Nesse sentido chegamos aqui com uma delegação representativa, inclusive com prefeitos. Temos visto possibilidades enormes de negócios”.

Agricultura


No Ministério da Agricultura, o simpático vice-ministro Niu Dun, fã do futebol e cultura brasileira, disse que tem disposição e interesse em fechar acordos comerciais com Goiás. Ele informou que pretende intermediar junto aos órgãos chineses a liberação da exportação da carne brasileira e divulgar a situação de sanidade da carne. Reafirmou também o interesse do governo em formar parcerias com Goiás para realizar pesquisa referente ao manejo de sementes. Cobrou entretanto reciprocidade na relação comercial: que Goiás também exporte modalidades específicas de carne chinesa.

Durante a reunião, o embaixador Clodoaldo Hugueney entregou documento que informa as zonas da pecuária brasileira e informa a respeito da sanidade do rebanho bovino, incluindo Goiás.

Tecnologia de trens de alta velocidade

Durante o encontro, antes de verbalizar convite direto para formatarem acordo comercial, Lu Chunfang fez descrição minuciosa da rede ferroviária do país. “A China é um dos poucos países do mundo que domina a tecnologia de trilhos de alta velocidade. Construiu 1.100 km de ferrovia no Tibet em terras geladas, com altíssima altitude, em condições muito duras de trabalho”, disse o vice-ministro. Segundo o dirigente, até 2010, cerca de 12 mil quilômetros estarão em funcionamento no país. “A China também domina tecnologia para trens de grandes cargas, com vagões para 10 mil toneladas”.

Os chineses conseguiram, com nova técnica, aumentar a velocidade dos trilhos em funcionamento – fato que Lu Chunfang sublinha com orgulho e disposição em compartilhar com o Brasil. “Foram ampliados 3,6 mil km de extensão para trens com mais de 200 km por hora, sendo que mais de 3 mil km operam acima de 200 km”, explica. Segundo Lu Chunfang, apenas em 2009 estão previstos 5.600 km de linhas novas. “Temos interesse em ultrapassar a Rússia e ficar em segundo lugar no mundo”, afirma. Para cumprir essa meta, os chineses pretendem ter 110 mil km de linhas ferroviárias até 2010.

Energia elétrica

Após a visita do Ministério das Ferrovias, a delegação de Goiás esteve na Corporação Nacional de Equipamentos Elétricos da China (CNEE). Ricardo Jayme, diretor comercial da Celg, disse que “energia elétrica significa desenvolvimento e segurança nacional”. Ele apresentou duas linhas de ponta da Celg: Telecom e Smart Grid. A primeira fornecerá acesso à internet por meio da energia elétrica. “Vai possibilitar acesso e inclusão digital, inclusive às comunidades rurais”, disse Jayme. Ele explicou ainda ao diretor da CNEE as possibilidades do Smart Grid, que fornecerá soluções remotas e inteligentes para os fornecedores e usuários .

Os chineses demonstraram interesse em investir na Celg a partir de financiamentos, compra de energia e venda de incrementos. Weng Zhiming, vice-diretor da Corporação Nacional de Equipamentos Elétricos da China (CNEE), demonstrou interesse em investir em Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) e em parcerias nas linhas de transmissão. (O repórter viajou a convite do governo de Goiás)

Goiás na China

Capitaneados pelo governador Alcides Rodrigues, os empresários goianos realizaram as seguintes ações em cinco dias de atividades junto aos empresários e produtores

Minérios


O empresário Guido Arantes, da Goiás Cristais, avançou em contratos de manganês e estendeu possibilidades de acordos para exploração de ferro. A exportação de minérios para a China é irrisória na balança comercial de Goiás. Se conseguir os acordos, ele pode mudar o quadro de investimentos. Pontos positivos: recursos naturais abundantes em Goiás e interesse da China em comprar ferro, pois o país consome 50% da produção mundial. Ponto negativo: a Norte-Sul ainda não está pronta e os chineses insistem no barateamento da logística. É necessário construir ramais da ferrovia para a distribuição dos commodities.

Carne

Goiás quer incluir a carne na pauta de exportações para a China, como ocorre na Rússia. Os goianos realizaram contatos com o Birô de Exportação, Importação e Segurança Alimentar do Ministério da Quarentena. Eles foram informados quanto ao gosto dos chineses e interesse pela modalidade de carne, bem como sobre o procedimento adequado para entrar na pauta de importações. Pontos positivos: os chineses afirmaram que estão dispostos a priorizar Goiás na pauta de importações desde que exista a chancela do Ministério da Agricultura. A carne bovina do Brasil tem atestado de sanidade que segue as regras de segurança alimentar. Pontos negativos: os chineses não têm costume de se alimentar com a carne brasileira e estão mal informados quanto ao zoneamento da carne no Brasil e dos certificados de área livre da febre aftosa.

Energia elétrica

Goiás ofereceu oportunidades de negócios para os chineses e apresentou interesse na compra de suprimentos. Os chineses, através do Banco de Desenvolvimento, podem investir em Goiás desde que levem empresários chineses para atuar em parcerias e joint ventures. Pontos positivos: os chineses aguardam a formatação de propostas concretas para analisar formas de participação. A Companhia Nacional de Equipamentos Elétricos (CNEE) demonstrou interesse nas potencialidades de Goiás. Pontos negativos: a empresa chinesa é uma agressiva montadora de usinas e companhias elétricas, cuja meta é sempre vender. No caso, eles se mostraram mais interessados em vender equipamentos – o que já interessa Goiás, pois os chineses entregam os suprimentos de forma mais ágil que concorrentes.

Ferrovias

Goiás apresentou propostas de joint ventures para produção de trilhos de ferro devido ao boom ferroviário vivido por Goiás. Os chineses apresentaram também interesse em investir nas linhas e ramais a partir de subconcessões de exploração dos serviços. Pontos positivos: é o setor que mais empolgou os chineses. Eles querem investir, pois apresentam know-how e capital. Pontos negativos: a Ferrovia Norte-Sul atende o Tocantins, mas não é eficiente no momento para dinamizar a logística em Goiás. Os projetos dependem da consolidação

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