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Veículo: Diário da Manhã
Caderno: Online
Data: 10/05/2009
Trilhas da Ferrovia Norte-Sul avançam em Goiás
Os investimentos em ferrovias realizados pelo governo Lula vão diminuir o Custo Brasil e promover a aproximação das regiões, contribuindo para diminuir os desequilíbrios regionais. Estamos mudando a cara do Brasil. Lula vai marcar a história como o presidente que mais fez ferrovia na história do País, colocando o Brasil nos trilhos e a Valec colocando trilhos no Brasil.
Os impactos causados pela construção da Ferrovia Norte-Sul têm transformado a realidade socioeconômica dos Estados. Já aconteceu no Maranhão, tem ocorrido no Tocantins e, certamente, se repetirá em Goiás, onde haverá efeitos positivos em toda a cadeia produtiva dos municípios da área de influência da via férrea. As indústrias não estão acompanhando a velocidade e o impacto das obras da Norte-Sul. Mesmo assim, estão surgindo novos empreendimentos na área da mineração, entre outras.
A ferrovia vai incentivar também a produção de álcool e biodiesel em Goiás e no Tocantins. A Valec realiza estudo no eixo transversal da ferrovia, visando a implantação de 40 novas usinas entre os dois Estados. As indústrias vão ocupar um eixo de cerca de 100 quilômetros.
A Norte-Sul, chamada de Ferrovia da Integração Nacional, será um divisor de águas na economia goiana, porque amplia significativamente a competitividade dos produtos do Estado, que chegarão aos mercados consumidores e aos portos do Norte (Itaqui, no Maranhão) e do Sudeste (Vitória e Santos), com custo de frete bem mais competitivo.
Além disso, a ferrovia permite a integração de vários modais de transporte (rodovia, hidrovia e aeroviária), ampliando e dinamizando a logística em todo o Centro-Oeste do País, além de promover a integração das demais regiões brasileiras. A região, com destaque para Goiás, passará a experimentar uma nova fase de crescimento econômico.
Idealizada pelo estalo premonitório do então presidente José Sarney ao vislumbrar o futuro de um Brasil integrado por um sistema de transporte que fosse, ao mesmo tempo, barato, durável e eficiente, a Ferrovia Norte-Sul foi projetada para promover a integração nacional, ao permitir a interligação do Norte e Nordeste ao Sul e Sudeste, passando pelo Centro-Oeste.
A ferrovia reduzirá o custo do transporte de longa distância e incentivará os empreendimentos produtivos ao longo de seu trajeto, impulsionando o crescimento econômico de toda a região Centro-Norte do País. Além disso, permitirá conexões com 5 mil quilômetros de ferrovias privadas e acesso a outros portos do País, facilitando as exportações para mercados do Hemisfério Norte.
O traçado original da ferrovia previa a construção de 1.550 quilômetros de trilhos, cortando os Estados do Maranhão, Tocantins e Goiás. Entretanto, com a Lei nº 11.297/2006, foi incorporado o trecho Açailândia-Belém. Outra lei, a de nº 1.722/2008, estendeu o traçado até a cidade de Panorama (SP). Quando estiver totalmente concluída, a via férrea terá 2.760 quilômetros de extensão e será responsável por um novo ciclo de crescimento econômico em toda a sua área de influência. O empreendimento garantirá as condições logísticas necessárias para o escoamento da produção agropecuária e agroindustrial da Região Central do Brasil.
A Ferrovia Norte-Sul está sendo implantada pela Valec-Engenharia, Construções e Ferrovias S.A., empresa pública vinculada ao Ministério dos Transportes que detém a concessão para sua construção e operação. O trecho entre as cidades maranhenses de Estreito e Açailândia, de 215 quilômetros de extensão, já está concluído e em operação comercial desde 1996. Ele se interliga à Estrada de Ferro Carajás, permitindo o acesso ao Porto de Itaqui, em São Luís do Maranhão.
O volume de cargas transportado pelos trilhos da Ferrovia Norte-Sul tem crescido anualmente, atingindo o patamar de 4,9 milhões de toneladas desde o início de sua operação comercial, há quase 12 anos. O escoamento da produção pela ferrovia propicia ao produtor local redução estimada em 30% no custo do frete, na comparação com o do modal rodoviário, garantindo maior competitividade, além do acesso aos mercados consumidores do Hemistério Norte, via Porto de Itaqui.
De mais de 358 quilômetros de extensão, os gastos estimados são da ordem de R$ 1,25 bilhão, cujas obras estão praticamente concluídas. A estatal já está tocando também a construção do trecho que vai do Pátio de Integração Multimodal de Araguaína até Ribeirão Tabocão, a 16 quilômetros ao Sul de Guaraí. Entre Araguaína e Guaraí as obras estão a todo o vapor. Nos trechos entre Guaraí e Palmas (150 quilômetros) e Anápolis e Uruaçu (280 quilômetros), os trabalhos prosseguem em ritmo acelerado. As obras devem ser concluídas em meados de 2009.
Também está em construção a Plataforma de Integração Multimodal de Palmas/Porto Nacional. Desse ponto até Uruaçu, em Goiás, o percurso é de 575 quilômetros. As obras também estão em andamento com estimativa de serem concluídas em meados de 2010, quando será possível iniciar a operação comercial de todo o trecho que vai de Anápolis ao Porto de Itaqui, no Maranhão.
Em Goiás, dos 516 quilômetros de extensão da Ferrovia Norte-Sul, 280 quilômetros já estão efetivamente em obras, de acordo com a Valec, considerando a implantação de infraestrutura básica e a construção de pontes, bueiros, aterros e rebaixamentos. As obras mais adiantadas estão no trecho urbano de Anápolis (na passagem sob a rodovia BR-153) e no trajeto até Ouro Verde e Petrolina.
Na região de Uruaçu está em execução trecho de 15 quilômetros, de um total de 105 quilômetros até Santa Isabel, onde trabalham atualmente 190 pessoas. Mas a previsão é que este número atinja, ao longo de 2009, efetivo de 990 trabalhadores. Em outros trechos, as construtoras estão montando acampamento e adotando providências para dar início às obras.
A estimativa é que a construção da ferrovia em território goiano demande recursos da ordem de R$ 1,5 bilhão, com previsão de conclusão do projeto no Estado até o fim de 2009. Porém, recursos financeiros não vão faltar para manter o ritmo das obras da ferrovia em Goiás. Para a construção do trecho Ouro Verde-Santa Isabel, de 123 quilômetros de extensão, e de Santa Isabel a Uruaçu (105 quilômetros) está sendo aplicado o dinheiro proveniente do contrato de subconcessão, cuja licitação foi realizada em outubro de 2007. A vencedora foi a Companhia Vale do Rio Doce, que disponibilizou total de R$ 1,478 bilhão, ao adquirir o direito de exploração comercial do trecho de Açailândia (MA) a Palmas (TO), pelo período de 30 anos.
Com mais esses recursos provenientes do contrato de subconcessão com a Vale, a Valec pretende terminar os trechos da ferrovia em Goiás e no Tocantins, e ainda iniciar a construção dos trechos que faltam para concluir o traçado inicial da via férrea. Em Goiás, como avanço das obras, aumentam também as oportunidades de negócios, como o fornecimento de matérias-primas e serviços para as empresas construtoras, além da oferta de emprego nos municípios que ficam no trajeto da ferrovia.
Ao longo da via férrea serão instalados 12 pátios de integração multimodal, dos quais cinco em Goiás, nos municípios de Porangatu, Uruaçu, Santa Isabel, Jaraguá e Anápolis. Esses pátios terão área para vias de formação de trens, manobras e estacionamentos de veículos ferroviários, oficinas, depósitos, armazéns e diversos serviços de logística e armazenamento de mercadorias, devendo se transformarem em grandes polos industriais.
Além disso, com a implantação do ramal Sudoeste da ferrovia, que sai de Anápolis e vai até o município de Panorama, em São Paulo, serão instalados mais três pátios de Integração Multimodal em Goiás, um deles em Goianira/Inhumas, outro em Santa Helena/Rio Verde; e o terceiro em São Simão, ampliando ainda mais as possibilidades de desenvolvimento de polos industriais.
Pedro Chaves é deputado federal pelo PMDB
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