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Veículo: Folha de S. Paulo
Caderno: Online
Data: 04/04/2009

Fundo de pensão deve financiar trem-bala

Governo vai estimular que fundos dos aposentados de empresas estatais
fechem sociedade com os consórcios vencedores
Para autoridades ligadas ao projeto do trem que ligará o Rio a SP, custo da obra
será maior do que os US$ 11 bi previstos inicialmente

ALAN GRIPP
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Preocupado com o alto custo do trem-bala que ligará o Rio de Janeiro a São Paulo, o governo federal decidiu oferecer fundos de pensão de estatais como sócios do consórcio vencedor no empreendimento.
Autoridades envolvidas no projeto já admitem que o TAV (Trem de Alta Velocidade) custará bem mais do que os US$ 11 bilhões previstos inicialmente.

Poderão participar Previ, Petros e Funcef -fundos patrocinados respectivamente por Banco do Brasil, Petrobras e Caixa Econômica Federal. Os presidentes dessas instituições foram todos indicados pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva.

O governo estuda, inclusive, a possibilidade de ele próprio se associar ao grupo privado vencedor da licitação. Uma das possibilidades cogitadas é oferecer aos investidores interessados a participação do BNDES-Par, braço do banco estatal especializado em adquirir participações acionárias.

Internamente, o discurso de que é possível viabilizar o trem-bala sem a necessidade de uma contrapartida dos cofres públicos foi praticamente abandonado. O governo já assumiu compromisso público de inaugurar o TAV antes da Copa de 2014 -embora haja participantes do projeto que duvidam que seja possível cumprir o prazo.

Paralelamente aos estudos técnicos, que praticamente já definiram o traçado e as estações obrigatórias, um grupo trabalha para evitar atrasos provocados por licenças ambientais e desapropriações.
Outro grupo se dedica ao modelo econômico-financeiro. Semana passada, representantes do Ministério dos Transportes receberam uma missão do governo japonês, interessada em financiar o empreendimento.

Segundo esse grupo, também já mostraram interesse Coreia do Sul, França e Alemanha.
A primeira etapa do projeto do trem-bala foi cumprida anteontem. A empresa inglesa Halcraw entregou ao governo brasileiro quatro volumes do estudo técnico da obra. Como revelou a Folha, o documento prevê a construção de oito estações obrigatórias, além de estações opcionais, a serem ativadas em datas específicas.

Se o projeto de fato sair do papel, a Grande São Paulo terá paradas na estação Luz, no centro da capital e no aeroporto de Cumbica, em Guarulhos. Em Campinas, serão construídas estações no aeroporto de Viracopos e na região central da cidade. São José dos Campos também terá uma estação.
No Rio, há previsão de paradas no centro e no Galeão.

Nas últimas duas décadas, diversas versões do trem-bala foram cogitadas, discutidas e até anunciadas por governos.

Em 1995, um grupo argentino chegou a propor ao governo brasileiro um trem expresso ligando a capital paulista a Buenos Aires. O projeto, no entanto, foi descartado rapidamente: o investimento não tinha qualquer chance de retorno.

Dois anos depois, no governo Fernando Henrique Cardoso, o extinto Geipot (Empresa de Planejamento de Transportes) chegou a anunciar o início de um estudo liderado por uma empresa alemã para a implantação de um trem-bala ligando Rio, São Paulo e Campinas. O projeto, de alto custo, também acabou abandonado.

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