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Veículo: O Popular
Caderno: Opinião – Pág 2
Data: 05/11/2007

Um trem pra lá de bom, esse da Norte-Sul

Pela primeira vez pode-se ter certeza de que o futuro, muito próximo, aliás, descortinará uma paisagem nova no Estado, assinalando um tempo promissor que já começou e se consolidará cada vez mais em razão da diversificação da infra-estrutura de transporte, através de linhas férreas. A construção da Ferrovia Norte-Sul e seu ramal Anápolis/ Rio Verde/ Jataí e Santa Fé do Sul (SP) está agora assegurada, dentro de um cronograma físico-financeiro que não deixa mais margem para dúvidas.

Uma das maiores garantias disso foi a contratação de grandes empreiteiras, licitadas para essa finalidade, e que vão atuar simultaneamente na implantação de vários trechos. Outra garantia é a definição do quantitativo de trabalhadores a serem empregados na obra, cerca de 7 mil. Nessa primeira etapa os trilhos serão lançados no percurso de Anápolis a Uruaçu, no médio norte do Estado.

A ferrovia apesar de sua inegável importância, vinha sendo tocada com lentidão irritante, devido a problemas financeiros. A situação parece ter mudado, segundo afirmou o presidente da Valec – Engenharia, Construções e Ferrovias, José Francisco das Neves, durante audiência pública na Assembléia Legislativa. Resolvida a questão de caixa pelo governo federal, o mapa da mina sai efetivamente do hermético bornal do Tesouro federal, para configurar na prática o seu traçado já decenal.

Ainda no final deste mês será assinada ordem de serviço para o trecho seguinte, entre Uruaçu e Porangatu. A Valec transpõe o ciclo de incógnitas marcadamente preocupantes sobre a concretização da ferrovia em toda sua extensão, desde Açailândia, no Maranhão, cortando os territórios tocantinense e goiano, chegando até Anápolis e daí derivando, por meio de um ramal passando pelo Sudoeste Goiano, até Santa Fé do Sul, em São Paulo.

O lançamento de trilhos no Brasil atual mais parece um sonho irrealizável. A supremacia rodoviária das ultimas décadas, avivando a indústria automobilística, produziu fenômenos cruéis para o País, que hoje paga um alto preço por não ter sistema de transporte múltiplo. Ao contrário, anos a fio viu-se a erradicação de trilhos, com centenas de milhares de toneladas de aço e ferro transformadas em utilidades vulgares, como mata-burros em estradas vicinais.

Outro trecho também longo, de 720 quilômetros, entre Açailândia (MA) e Palmas (TO), será explorado pela Companhia Vale do Rio Doce, que adquiriu a concessão por R$ 1,49 bilhão. São fatos reais, que confirmam a certeza de que a estrada de ferro conseguiu superar as dificuldades que a cercavam, para materializar o ambicioso projeto de integração nacional, facilitar o escoamento de granéis dos setores agrícola e mineral e, adicionalmente, criar uma tão sonhada via de transporte de passageiros paralela à rodovia Belém – Brasília (BR-153).

A alvissareira notícia veio em uma semana surpreendentemente para o País, entrecortada de bons acontecimentos. Bovespa batendo recordes, dólar aninhado em menos de dois valorizados reais, Copa do Mundo 2014 em nosso território. E sensível melhora das oportunidades de investimento estrangeiro, anunciadas pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, dentre uma série de fatores positivos.

A Ferrovia Norte-Sul, quando pronta, se constituirá numa grande e importante via nacional de escoamento de bens e de transporte em geral. O ramal Leste-Oeste cortará o Sudoeste, a mais rica região do Estado. A certeza, agora, de conclusão dessa obra indispensável à Nação, infunde ânimo ao setor produtivo e abre novas perspectivas de crescimento, notadamente no campo da mineração. O projeto claudicou muito, mas está encontrando um final feliz, impulsionado também pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e deslanchando conforme as regras das parcerias público-privadas, uma marca do governo Lula. Se fosse em Minas, diriam os mineiros: Trem bão danado! Nós goianos, vamos além: trem pra lá de bom!

                                                                                       HENRIQUE DUARTE é jornalista

 

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