Clipping
Veículo: DCI
Caderno: Online
Data: 16/05/2008
“Superferrovia” corre contra o tempo
O Dr. Juquinha, apelido pelo qual é conhecido no setor ferroviário o presidente da VALEC Engenharia, Construções e Ferrovias, José Francisco das Neves, não sabe como fará para cumprir a nova tarefa que lhe foi dada: passar da construção de 10 quilômetros de linhas ferroviárias por ano para novos 5,5 mil quilômetros de ferrovias que serão preparadas para o uso até o ano de 2012. "Vou ter que fazer uma reestruturação completa, remanejar gente, não sei ainda. Estou negociando com o ministro Alfredo [Transportes] o que poderemos fazer. Agora, veja você a minha situação, 1.200 quilômetros já têm de começar em agosto a ser entregues até o fim deste ano", contou ao DCI.
De acordo com Neves, o desafio do chamado Plano de Viação Nacional (PVN) é grande, mas trará bons frutos para o setor ferroviário brasileiro, que verá mais disputas, a exemplo do interesse de empresas estrangeiras no trem-bala que ligará São Paulo e Rio de Janeiro. A diferença é que desta vez elas devem apostar nos cerca de 5,5 mil quilômetros de malha que estarão nas mãos da Valec a partir de 2009.
"Quando privatizaram o setor não perceberam que precisava de uma estatal para garantir a estruturação. O papel da VALEC será de construir e passar para a iniciativa privada. Isso será algo inédito", disse Neves.
A VALEC era antes responsável apenas pela construção da Ferrovia Norte-Sul (FNS).
Especialistas calculam que cada quilômetro ferroviário custa por volta de R$ 3 milhões, ou seja, os mais de cinco mil precisariam de R$ 16,5 bilhões para serem estruturados, mais um indício da necessidade de uma parceria público-privada. Com a nova configuração, a VALEC deixa de se uma empresa exclusiva do governo, passando a uma estatal comum, admitindo mais parcerias com o ambiente privado.
Entre os trechos que serão assumidos pela VALEC, o mais concorrido promete ser o que está entre as cidades de Belo Horizonte e Curitiba, com mais 1,1 mil quilômetros e que passará pelo interior paulista, onde especialistas apontam a viabilidade da implantação de um segundo Trem de Alta Velocidade (TAV), a exemplo de São Paulo e Rio de Janeiro.
As outras interligações, no total são 12, possibilitam ligar a Norte-Sul aos portos, uma boa possibilidade de escoamento de cargas, tanto industriais, como de commodities agrícolas, de acordo com o perfil de cada região, podendo chegar à Transnordestina na região do Estado da Bahia. O projeto inclui um ramal que chega à Região Norte.
Trem-Bala
A VALEC só se envolverá com o projeto do trem-bala Rio-São Paulo a partir do momento em que for finalizado o estudo de viabilidade econômica e de demanda, processo que o presidente da estatal acredita que vai demandar muito trabalho.
"Não estamos falando de uma concessão rodoviária, e sim de um projeto complexo que envolverá alta tecnologia que terá que ser implantada desde seu início", disse ontem, após sair de uma reunião, o ministro dos Transportes. Neste momento, o projeto encontra-se em estudo de viabilidade, coordenado pelos ingleses do Halcrow Group, em parceria com as brasileiras Sinergia Estudos e Projetos e Balman Consultores Associados, vencedores de uma licitação que envolveu a participação de diversas empresas estrangeiras. O trabalho deve ser finalizado até o final do ano e está sob a coordenação do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Neves deixou claro que após o recebimento do estudo serão necessárias discussões com profissionais do segmento para chegar a uma licitação adequada, passo previsto para o próximo ano.
Disputa
A exemplo da concorrência para a realização do estudo pré-licitatório, as empresas estrangeiras que quiserem se envolver no projeto de US$ 9 bilhões do TAV Rio-São Paulo terão de encontrar parceiras nacionais se quiserem fazer parte do negócios.
Por isso, desde já, uma corrida de empresas estrangeiras, que desejam apresentar suas soluções de trens-bala, a autoridades e empresários brasileiros se estabeleceu, a última delas, ontem, de executivos japoneses das corporações, Kawasaki, Toshiba, Mitsubishi e da consultoria Mitsui & Co, que estiveram esta semana tanto no Rio quanto em São Paulo, para apresentar o esboço de um TAV que custaria US$ 11 bilhões e transportaria 17 milhões de pessoas por ano, entre Campinas e a capital fluminense.
Outra que assumiu como prioridade a participação no trem-bala brasileiro foi a Siemens, por meio de seu diretor de Sistemas de Transporte, Nelson Branco Marchetti, que declarou, em recente entrevista ao DCI, que a empresa está preparada para atender a qualquer projeto do segmento e quer trazer ao Brasil o Velara, segundo o executivo o trem mais veloz do mundo, implementado pela Siemens em Madri. "Somos o único player que tem capacidade de fornecer tecnologia a todas a áreas que a implantação do trem de alta velocidade envolve", afirmou. O Brasil já recebeu a sinalização de empresas coreanas, italianas e francesas, interessadas no projeto.
O Dr. Juquinha, apelido pelo qual é conhecido no setor ferroviário o presidente da VALEC Engenharia, Construções e Ferrovias, José Francisco das Neves, se prepara para o grande desafio da sua carreira: passar da construção de 10 quilômetros de linhas por ano, para novos 5,5 mil quilômetros de ferrovias que deverão estar prontas para uso até 2012. "Terei de fazer uma reestruturação completa, remanejar gente, não sei ainda. Estou negociando com o ministro Alfredo [Transportes] o que poderemos fazer. Agora veja a situação, 1.200 quilômetros já têm que começar em agosto, e serem entregues até o final do ano", contou ao DCI, ele que antes respondia apenas pela construção da Ferrovia Norte-Sul . Segundo Neves, o desafio, do chamado Plano de Viação Nacional (PVN), é grande, mas trará bons frutos para o setor ferroviário brasileiro que verá mais disputas, a exemplo do interesse de empresas estrangeiras, como Toshiba, Mitsubishi e Siemens, no trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiro.
Especialistas do setor ferroviário calculam que cada quilômetro ferroviário custa por volta de R$ 3 milhões, ou seja, os mais de cinco mil precisariam de mais de R$ 16 bilhões, para serem estruturados, oque pode indicar a necessidade de uma parceria público-privada.
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