Clipping

Veículo: JORNAL DO COMÉRCIO - RS
Caderno: Online
Data: 15/05/2008

Trem-bala no Brasil é sonho a ser concretizado

Quando tanto se fala em problemas nos aeroportos e nos céus do Brasil, é bom saber que ainda em 2008 poderá ser feita a licitação internacional para a implantação de um trem-bala ligando o Rio a São Paulo. Para ser atrativo, o equipamento precisa, obviamente, de usuários. Mas não às centenas, porém aos milhares, aos milhões mesmo. A ministra Dilma Rousseff esteve em Tóquio, nas comemorações oficiais dos cem anos de imigração japonesa, e lá ouviu propostas tentadoras. Antecipando-se aos concorrentes, empresas nipônicas mostraram, em São Paulo e Brasília, a mais de cem empresários nacionais como funciona o tão famoso trem-bala. O governo anunciou que pretende abrir licitação para a construção de 4,7 mil quilômetros de ferrovias no Brasil nos próximos anos. A MP publicada terça-feira pela presidência da República autoriza o estudo de viabilidade de um trem-bala ligando Belo Horizonte, São Paulo e Curitiba, com 1.150 km de extensão. Todos os trechos estão sob concessão da VALEC, que por meio da mesma MP foi transformada em empresa pública, sob a forma de sociedade por ações, vinculada ao Ministério dos Transportes. A previsão do trem-bala Rio/São Paulo é para transportar três mil pessoas por hora, ou 17 milhões por ano. O custo estimado é de US$ 11 bilhões. Os japoneses dizem que o trem-bala faria o roteiro, sem paradas, de Campinas a São Paulo em 24 minutos. De São Paulo ao Rio seriam 80 minutos. É um tempo inferior ao de uma viagem de avião, que dura, em média, 90 minutos, incluindo o check-in.

A viagem de ônibus leva sete horas de rodoviária a rodoviária. Os japoneses disseram que na viagem do trem-bala com seis paradas em várias cidades, o tempo duraria pouco mais de duas horas. As japonesas Mitsubishi, Mitsui, Kawasaki e Toshiba estão na corrida. Concorrerão com empresas sul-coreanas, francesas e alemãs. Masao Suzuki, diretor vice-presidente da Mitsui do Brasil, lembrou que para atrair investimentos externos o governo deveria incluir no projeto a concessão de exploração de negócios nos arredores das estações do trem-bala, como lojas e shopping centers, além dos ramos imobiliário, de hotelaria e de publicidade. Masao disse que o trem de alta velocidade do Japão, o Shinkansen, tem 30% da receita de US$ 8,3 bilhões obtida por uma das empresas administradoras, a JR Leste, com negócios e acessórios, o que facilita o retorno dos custos da implantação. O Shinkansen foi inaugurado em 1964 e hoje tem 2.176 quilômetros de extensão e outros 589 quilômetros em construção. O sistema transporta 340,4 milhões de passageiros por ano e gera US$ 18,6 bilhões de receita em sua totalidade. A mesma tecnologia do trem-bala japonês já foi adotada em Taiwan e na China. O trem de Taiwan, inaugurado em janeiro de 2007, consumiu US$ 15 bilhões. O projeto do grupo japonês prevê que cada trem brasileiro terá oito vagões e atingirá velocidade média de 320 quilômetros por hora, chegando até a 360 quilômetros por hora. Será movido a eletricidade, como os demais trens do mundo. Dependendo do sistema a ser adotado, é possível reaproveitar parte da linha ferroviária já existente. Hirotoshi Kunitomo, do Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão, presente na explanação, disse que, com essa configuração, o Brasil terá energia suficiente para mover os trens, mas não descarta necessidades futuras de construção de novas hidrelétricas, caso a demanda de passageiros se amplie rapidamente. Nos 44 anos de operação no Japão, não foi registrado nenhum acidente com morte associado à circulação do Shinkansen.

| Clippings anteriores |