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Veículo: CORREIO DA BAHIA
Caderno: Política
Data: 10/05/2008
Lula admite atrasos nas obras do PAC
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reclamou ontem, em Salvador, da lentidão para operacionalizar as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em todo o país e na Bahia. Ele pediu que a chefe da Casa Civil do governo do estado, Eva Chiavon, ajude no processo para acelerar as obras. Lula exemplificou que uma semana de atraso no envio de um documento pode atrasar as obras em um ano. Em matéria publicada no Correio da Bahia, na edição do último domingo, foi revelado que apenas 4,8% das obras do PAC tiveram início no estado.
Lula falou que o processo é espinhoso, desde o início do projeto até a sua aprovação, porque tem várias etapas. O presidente ressaltou que não pode haver nenhum tipo de erro no processo, porque corre se o risco de ter que se recomeçar tudo do zero. Para não perder a oportunidade, Lula disse que ainda pretende mudar a Lei de Licitação. Para ele, a legislação dificulta a realização de obras.
"Aqui se parte do pressuposto de que todo brasileiro é desonesto, por isso uma lei tão complicada", frisou o presidente.
Serão investidos na Bahia pelo PAC cerca de R$27,2 bilhões, sendo R$24 bilhões até 2010, segundo números do Planalto. Para o presidente, o importante agora é fazer com que o dinheiro que foi contratado seja transformado em obras. "E nós sabemos que entre aprovar um projeto e começar a trabalhar, tem uma distância muito grande, por causa do marco regulatório que temos que vencer", observou.
Apesar dos percalços, Lula lembrou que algumas das obras já têm início imediato sobretudo as que tiveram assinadas as ordens de serviço. "Outras serão iniciadas no próximo mês, porque foram assinados contratos e é necessária a licitação, e algumas ainda vão demorar um ano, porque são mais complexas, como é a ferrovia (Oeste Leste)", afirmou.
Governadoria
No evento no estacionamento da Governadoria, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, assinalou que a Bahia vai receber este ano, apenas no setor de infra estrutura, R$6,4 bilhões via PAC. Em saneamento e habitação serão investidos R$3,3 bilhões. "Um dos objetivos é a erradicação das palafitas, tirando de área de risco a população pobre, dando dignidade às pessoas", afirmou a ministra, que fez um discurso técnico, apesar dos inúmeros elogios que recebeu.
Em Salvador, foi assinado o acordo de cooperação para a implementação do Programa Territórios da Cidadania, com investimento de R$1 bilhão. O ministro Alfredo Nascimento (dos Transportes) lançou o projeto da Ferrovia da Integração Bahia (Oeste Leste), cujas obras só devem começar em 2009, absorvendo recursos da ordem de R$2,5 bilhões. Outro anúncio feito por Nascimento diz respeito à Via Portuária, cujo investimento é da ordem de R$380 milhões. Com a presença do ministro da Justiça, Tarso Genro, foi lançado o Bolsa Formação do Programa Nacional Segurança Pública (Pronasci), que busca valorizar os policiais.
Antes, pela manhã, Lula foi a Catu. Lá, o presidente lançou as obras do primeiro trecho (954km) do Gasene, gasoduto dividido em três trechos ligando as regiões Sudeste e Nordeste, que vai permitir a integração das malhas entre as duas regiões. O Gasene está incluído no PAC. A previsão é de que as obras sejam concluídas no 10 trimestre de 2010. Segundo o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrieli, o Cacimbas Catu vai proporcionar ao Nordeste um acréscimo de 20 milhões de metros cúbicos/dia.
Claque para Dilma
Em Catu o evento foi mais técnico, em Salvador a coisa foi um pouco diferente. O presidente Lula não fez declaradamente campanha para a ministra Dilma Rousseff, mas os ministro Alfredo Nascimento (Transportes) e Geddel Vieira Lima (Integração Nacional) trataram de dar o tom político aos seus discursos. Tudo, é claro, tendo como objetivo ressaltar qualidades de Dilma. "Presidente, o senhor tem sorte de ter ao seu lado uma pessoa como a ministra Dilma. E eu agradeço a Deus por trabalhar com ela", disse Nascimento.
Geddel seguiu a mesma linha. O governador Jaques Wagner idem. "Dilma tem várias qualidades, competência, generosidade, mas, acima de tudo, ela sabe reconhecer quem é que está na linha de frente do PAC", disse Wagner, referindo se ao presidente Lula.
O que chamou a atenção de todos que estavam no local foi a claque que gritava toda vez que o nome de Dilma era citado. A própria Dilma, por vezes fez cara de estranhamento. Comentava se que a claque tinha sido levada pelo PMDB. Além de Dilma, apenas os quadros do partido, Geddel Vieira Lima e o prefeito João Henrique, eram aplaudidos à exaustão, chateando inclusive o próprio ministro baiano, que nesses momentos fazia cara de poucos amigos.
Salvador Todos os pré candidatos a prefeito de Salvador dos partidos da base do governador Jaques Wagner estiveram presentes. De Antonio Imbassahy (PSDB), passando por Lídice da Mata (PSB), Olívia Santana (PCdoB) e João Henrique (PMDB), até os quatro postulantes do PT (deputados Walter Pinheiro, Nelson Pelegrino, Luiz Alberto e J. Carlos).
Mas Lula manteve a diplomacia e não os tratou como candidatos, tampouco como recebedores do seu apoio. Manteve se, portanto, distante do cenário confuso no campo da esquerda, cuja definição acontecerá após o PT definir o nome dos seus quadros para disputar as eleições de outubro. (CK)
Clima de campanha marca visita a Lauro de Freitas
Osvaldo Lyra
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a tentar, mas não conseguiu evitar o caráter político do lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento(PAC) em Itinga, bairro de Lauro de Freitas. Ao lado de ministros, como a da Casa Civil, Dilma Rousseff, o presidente disse que as obras do PAC nada tinham a ver com as eleições. No entanto, o clima no local, os políticos candidatos que disputavam espaço no palanque, além dos discursos proferidos na ocasião, davam a conotação eleitoreira ao ato público.
A primeira a usar o tom de campanha foi a prefeita da cidade, Moema Gramacho (PT). Ela classificou a ministra como "mãe do PAC" e chegou a comparar o presidente Lula ao ex presidente Juscelino Kubitscheck. "Juscelino fez muito ao construir Brasília, mas Lula está reconstruindo lares em todo o Brasil".
Diante dos holofotes, o presidente, que não conversou com a imprensa durante a visita à Bahia, chegou a afirmar que o PAC era um programa institucional e que não poderia ser usado para fazer campanha. No entanto, a todo instante, se divertia com as manifestações da platéia. Entusiasmado com o calor das eleições municipais, mas com olhos voltados para a sucessão presidencial de 2010, Lula chegou a afirmar que a claque composta principalmente por alunos da rede pública, que haviam sido liberados das aulas para participar do ato não poderia gritar por "Dilma, Dilma, Dilma" e, ao mesmo tempo, clamar por "Lula outra vez", numa referência a um terceiro mandato.
O presidente disse que tem vivido momentos "delicados" ao participar de eventos do PAC em pleno ano de eleição, já que divide o palanque com candidatos e surgem torcidas das pessoas presentes.
"Estamos num período eleitoral, começam a aparecer torcidas, o que pode ser complicado", disse. "Mas, mesmo assim, eu não vou deixar de andar pelo Brasil por dizerem que a gente está fazendo campanha", completou, ao fazer referência aos quatro pré candidatos de sua base à prefeitura de Salvador que estavam presentes no palanque.
Elogios na cerimônia em que foram assinadas ordens de serviços para realização de obras de urbanização, rede de abastecimento de água, coleta de esgoto, quadras esportivas, creche e moradias populares, no valor de R$38 milhões, o presidente Lula tratou de elogiar o governo e a própria ministra Dilma. "Eu descobri que a coisa mais fácil do mundo é cuidar do pobre e, agora, os adversários têm medo", afirmou. "Por isso levaram Dilma no Senado, porque era preciso questionar, achando que a gente tem medo de debate, de enfrentar a discussão. Quem fala a verdade conversa até com o diabo, sem medo. E ainda sai de cabeça erguida para contar a Deus que derrotou o diabo".
Ainda na tentativa de fortalecer o capital político, Lula fez questão de enfatizar a parceria com o governo do estado e a atuação do Programa de Aceleração do Crescimento, que beneficia atualmente mais de 300 municípios baianos. "E bom que a gente diga que a cidade que ainda não foi contemplada pelo PAC, é porque não tem projeto".
Revitalização da lavoura
Em Ilhéus, aonde foi na noite de ontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou o PAC do Cacau, também ao lado do governador Jaques Wagner. O programa prevê investimentos de R$2,2 bilhões para revitalizar a lavoura cacaueira. Mais uma vez sobraram elogios para a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff.
"Vim à Bahia, uma terra extraordinária, para lançar o plano que vai salvar a indústria de cacau e incrementar a produção. Devemos lembrar que essa região já foi muito rica, mas empobreceu com o tempo. Nossa meta é devolver aos produtores a fé de que o cacau é um fruto rentável e valioso", afirmou o presidente Lula.
O PAC do Cacau visa ainda incentivar a diversidade agrícola no sul do estado, estimulando o cultivo consorciado do cacau com outras culturas, como dendê e seringueira. Entre os objetivos, também está a renegociação da dívida dos produtores de cacau, mediante redução de encargos, descontos e prazo adicional para pagamento em até 17 anos, entre outras facilidades.
Para o governador Jaques Wagner, a meta principal do plano é recolocar e manter Ilhéus e Itabuna na rota do desenvolvimento do estado. "Que, definitivamente, nós consigamos agora a recuperação da lavoura de cacau", falou. As novidades anunciadas também animaram os cacauicultores da região, representados na ocasião por João das Neves Santos, porta voz da Associação de Produtores de Mutuípe.
"A crise da vassoura de bruxa emperrou o desenvolvimento da região. Esperamos agora a reversão desse quadro".
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