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Veículo: Diário da Manhã – GO
Caderno: Política – Página 3
Data: 26/12/07
Novo traçado da Norte-Sul
Trecho da ferrovia cortará Goiás e contemplará região
produtiva do Estado, com acréscimo de 520 quilômetros
Cristiane Lima
A Ferrovia Norte-Sul (FNS) terá um novo traçado. A notícia foi dada ontem pelo diretor-presidente da VALEC Engenharia Construções e Ferrovias, José Francisco das Neves, o Juquinha, em entrevista ao Diário da Manhã. Antes, o trajeto da FNS compreendia apenas o trecho entre Açailândia (MA) e Anápolis (GO). A novidade é que agora a ferrovia cortará Goiás, passando pelo sudoeste e extremo sudeste goiano e chegará ao município de Rubinéia, em São Paulo. Com isso, Goiás ganhará mais 520 km em ferrovias. Para aumentar a estrada de ferro até o Estado de São Paulo, estima-se que serão gastos cerca de R$ 2,5 bilhões.
Para Juquinha, a extensão da ferrovia, inclusive em território goiano, representa uma mudança de ciclo, onde o País desviará a maioria dos transportes da malha rodoviária para a ferroviária. “O Brasil ganhará muito com essa mudança”, avalia.
De acordo com o presidente da Valec, a MP – medida provisória - que autoriza a extensão de cerca de 680 km da FNS deve sair no início de 2008. A previsão para conclusão total da ferrovia é até o final de 2010. Ao todo, a ferrovia vai ter cerca de 2.210 km, entre Açailândia (MA) e Rubinéia (SP). A parte da obra que compreende o Estado do Pará – de Açailândia a Belém – aguarda autorizações e licenças ambientais para início da construção. Quando o trecho paraense estiver pronto, a ferrovia poderá somar mais de 2.700 km.
Segundo Juquinha, a extensão da ferrovia deve melhorar a economia do País. Em Goiás, cidades do sudeste e sudoeste goiano como Jataí e Rio Verde, grandes produtoras de grãos, ganharão com o novo modelo de transporte. O presidente da Valec explica que a mudança reduzirá em 45 dias o tempo de transporte de produtos goianos ao Japão, por exemplo. Para os Estados Unidos, a redução é de cerca de 15 dias, pois a carga chega mais rápida ao porto e não há tanta perda de produção como acontece no transporte por rodovias. “A carga do Centro-Oeste vai poder chegar a qualquer canto do Brasil com mais rapidez e precisão”, diz.
Juquinha acrescenta que as cargas deverão fluir mais rápido do centro para os portos do País, pois a malha ferroviária a ser construída utilizará trilhos largos (bitola larga), o que agiliza em quatro vezes o tempo do percurso. Além disso, os trilhos construídos serão de concreto, diferente do que era utilizado antigamente. O empresário destaca a FNS pode ser considerada a mais moderna do País. “No modelo atual, o trem anda a cerca de 20 km/h. No molde que a FNS está sendo construída, o trem poderá andar entre 80 e 100 km/h”, calcula.
A verba para a concretização da FNS será dividida entre os setores público e privado. O governo entra com parte do dinheiro e a outra parte será obtida por meio de concessões e subconcessões entre empresas privadas. O presidente da Valec já tem mais de R$ 1 bilhão adquirido com a subconcessão do primeiro trecho da obra, de Açailândia (MA) a Palmas (TO). Um novo leilão deverá acontecer no segundo semestre de 2008, para definir a empresa que ficará com a subconcessão do trecho entre Palmas (TO) e Rubinéia (SP).
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