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Veículo: Jornal do Tocantins
Caderno: Opinião – Pág 2
Data: 01/11/2007

Ferrovia Norte-Sul, do sonho à realidade

Quando, há duas décadas, o então presidente José Sarney lançou a Ferrovia Norte-Sul como obra de governo, não lhe faltaram críticas negativas. Contestada com maior veemência pelos políticos do Sul/ Sudeste, que alegavam não ser ela prioritária mas de “duvidosa necessidade”, imediatamente estes argumentos obtiveram a adesão de numerosos formadores da opinião pública nacional.

Foram tão contundentes as negações, que a boa intenção presidencial parecia haver nascido morta. Felizmente, tal não aconteceu em razão de vozes fortes do Norte e do Centro-Oeste, Goiás incluso, que acorreram em defesa da ferrovia, utilizando o maior argumento em seu favor: a “integração ferroviária nacional”. Buscava-se a vitoriosa razão motivadora do convencimento geral para construção da Belém-Brasília, a rodovia da integração nacional, condenada no início e elogiada no final.

O traçado da Norte-Sul, apresentava-se como uma espinha dorsal no mapa do Brasil e era inegável que ela desempenharia papel fundamental na interligação entre as regiões desenvolvidas e em desenvolvimento, e uma alternativa de se formar um corredor de comércio exterior, com entrada / saída pelo Porto de Itaqui, no Maranhão.

Decorridos 20 anos, constata-se que, praticamente, não mais existem opositores à grandiosa obra. Pelo contrário, o próprio presidente Lula é, hoje, seu principal entusiasta. Foi necessário esse tempo todo para que as vozes do Norte e do Centro-Oeste obtivessem razão. A Ferrovia Norte-Sul tornou-se uma obra prioritária e de consenso geral. Entendeu-se, finalmente, que um país só se torna nação com pleno desenvolvimento de todas as suas regiões, sendo nele o transporte acessível, de baixo custo, a principal ligação entre seus agentes econômicos.

 A realidade da Norte-Sul pode ser expressa nos seguintes números: a) o trecho Açailândia a Estreito, no Maranhão, está concluído e em operação, com 225 quilômetros. Em Açailândia, existe a conexão com a Estrada de Ferro Carajás, operada pela Vale, que demanda o Porto de Itaqui; b) de Aguiarnópolis (TO) a Araguaína (TO), o trecho de 150 quilômetros encontra-se pronto; c) para o trecho de Araguaína (TO) a Palmas (TO), com 359 quilômetros, já estão assegurados os recursos financeiros necessários, oriundos do pagamento da Vale pela concessão do trecho Açailândia-Palmas, ganho em licitação pública; d) para o trecho Anápolis-Ouro Verde, com 52 quilômetros, em execução, existe dotação financeira capaz de garantir o avanço do projeto em solo goiano.

A Norte-Sul constitui a base de sustentação do projeto Corredor Centro-Norte e interessa diretamente aos Estados do Pará, Maranhão, Piauí, Tocantins, de Mato Grosso e Goiás, além do Distrito Federal. Com o seu término e operação estarão viabilizados nessas unidades federativas os megaprojetos de mineração, florestamento, siderurgia, metalurgia, cimento, calcário, fertilizantes, etanol e outros, além de proporcionar o escoamento de grãos pelo Porto de Itaqui.

A realidade, em novembro de 2007, já é de garantia dos recursos financeiros imprescindíveis à inteira complementação das obras, por meio do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento, do governo federal, e da nova forma de concessão de exploração dos diversos trechos, com a participação da iniciativa privada, fato da maior relevância, pois confere credibilidade e viabilidade econômica à nova ferrovia.
Some-se a essa alentadora constatação a anunciada pretensão do governo federal de interligar a Norte-Sul à Ferronorte, passando pelo Sudoeste Goiano e daí até Santa Fé do Sul, em São Paulo, num aval extraordinário á importância dessa obra. Com isso, a tão sonhada ligação do Porto de Santos, em São Paulo, ao Porto de Itaqui, no Maranhão, se tornaria realidade.

Para nós, goianos, a Ferrovia Norte-Sul trará uma nova opção de transporte, mais econômica, facilitando o acesso a novos mercados de consumo do Centro-Norte do País. Viabilizará a implantação de grandes empreendimentos industriais e um novo corredor de importação / exportação pelo Porto de Itaqui. Os seus 1550 quilômetros de extensão poderão se estender para além de 2 mil quilômetros.

Por último, mas não menos importante, sua construção provocará investimentos de bilhões de reais e gerará milhares de empregos. É assim que uma região cresce, é desta maneira que uma nação se consolida. Saudemos, todos nós, a nova e alvissareira estrada de ferro, e aplaudamos, com o merecido entusiasmo, todos os que se empenham pela realização, o quanto antes, da Ferrovia Norte-Sul.

  PAULO AFONSO FERREIRA é presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg)

 

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